Hoje pela manhã a Vanessa acordou mais cedo, tomou seu café já um pouco ansiosa. Ela tem uma consulta marcada com o Dr. Jonas, cardiologista, será a sua primeira consulta com ele. Ao se preparar para sair de casa ela resgatou alguns de seus exames de rotina, em seu pensamento pairam dúvidas sobre a sua saúde: Será que minhas medicações podem estar afetando o meu coração? Essa palpitação que eu sinto pode ser algum sinal? Na minha família tem casos de infarto…

Ela teve dificuldades para estacionar seu carro, mas pontualmente estava no consultório entregando a sua carteirinha do convênio para a secretária. Ao se sentar percebeu a sala de espera lotada e teve a impressão de um ar pesado. Rapidamente notou que várias pessoas reclamavam do atraso…

O tempo passando a Vanessa já inquieta utilizou seu celular e cancelou o seu próximo compromisso. Com 01 hora de atraso o Dr. Jonas finalmente a chamou. Ela foi recebida com um aperto de mãos, mas esperava um olhar nos olhos…

O médico, visivelmente cansado e até mais ansioso que ela própria, foi se sentando e já perguntando sobre o seu problema. Quando Vanessa tentava explicar seus sintomas, era interrompida. Ao mostrar seus exames de rotina o médico não quis olhar disse que eram desnecessários. Ela estava com a expectativa que o médico ouvisse o seu coração, mas ele sequer a tocou.

Em 15 minutos ela já estava com a guia de mais seis exames para fazer e mais dois remédios para tomar. Enquanto o Dr. Jonas se despedia ela lembrava que esse era o quarto médico que ela se consultava naquele ano e todos os atendimentos foram frustrantes.

Atualmente, esse é o retrato da experiência do paciente com uma consulta médica em geral e você sabe disso. O padrão de atendimento dentro dos convênios segue uma lógica de mercado em que o número de atendimentos compensa o baixo valor da consulta que o médico recebe.

Além disso, há uma alta rotatividade do corpo clínico e fica praticamente impossível criar uma relação de confiança entre o médico e o paciente. Quantas vezes você tentou voltar com o médico que te atendeu e não conseguiu?

Você vê o crescente número de farmácias. A população está envelhecendo e há cada vez mais portadores de doenças crônicas em nossa sociedade. Consequentemente, novos remédios são lançados em escala exponencial. Pacientes sofrem com os efeitos colaterais das medicações de uso contínuo e também com o elevado preço dessas novas drogas.

As inovações tecnológicas são uma realidade no mundo em que vivemos, inclusive para sua saúde. Exames complementares como ressonância magnética, cintilografia, testes genéticos, entre outros vêm revolucionando a história da medicina. Porém, tais exames são super indicados pelos médicos e os pacientes expressam claramente o desejo em realiza-los. Por esse motivo que a mensalidade do seu convênio sobe a cada ano e sempre há a necessidade de um novo exame a ser feito.

Dentro desse cenário é evidente a decadente capacitação médica em geral, até mesmo pelo crescente número de faculdades duvidosas em formar médicos qualificados. Um currículo inchado pela evolução da ciência que foca em tecnocracia e esquece do valor humano e da empatia pelo próximo.

A revolução no atendimento médico de qualidade é retomar as bases da medicina. É preciso saber mais sobre o paciente acometido por uma doença, do que a doença que acomete aquele paciente. Conhecer suas individualidades, ouvir suas queixas, compreender sua rotina e seus hábitos de vida. Descobrir o que move aquela pessoa, quais são seus medos e aflições, quais são seus desejos e sonhos. É a medicina que você precisa.

Essa é a descrição de uma sólida relação médico-paciente, particularizada, justa e baseada no conceito Slow Medicine. É o conceito que ressalta a necessidade de menos tempo na sala de espera e mais carinho e atenção dentro do consultório, o resgate da compaixão e da conexão médico-paciente. Quando um médico baseia a sua consulta nesse conceito, ele consegue realizar uma excelente anamnese e um exame físico minucioso, diminuindo a necessidade de exames complementares para fechar um diagnóstico. Slow Medicine é foco na prevenção, cuidado e compartilhamento de decisões com o paciente.

A capacidade humana de um médico reflete em eficiência para sua saúde. Isso é mensurado em mais segurança e economia de tempo e dinheiro para o paciente. O valor da orientação médica vai além do remédio. Esse é o médico que vai orientar e direcionar você para a construção de saúde e longevidade com qualidade de vida e funcionalidade. É tempo de repensar o atendimento médico e despertar a consciência da prevenção e da orientação como conduta. Todos queremos envelhecer ativos e saudáveis, isso só é possível a partir da prevenção e da humanização.