por: Carla Sisto

Um Campo Farto de belezas naturais

Campo Magro da trilha do ouro, tropeirismo, agroecologia e turismo rural.

Campo Magro é um município paranaense situada na Região Metropolitana de Curitiba a poucos kms da capital paranaense. Os acessos principais são o Contorno Norte (ligação entre as regiões sul e sudeste do Brasil) e a PR-090, Estrada do Cerne, que é a continuação da Avenida Manoel Ribas (principal avenida do bairro Santa Felicidade em Curitiba).

Estrada do Cerne, com vista para o final da Manoel Ribas. Foto: Facebook

Com território de relevo bastante acidentado está 100% inserido em áreas de mananciais hídricos – Aquifero Karst, Bacia do Passaúna e Bacia do Rio Verde. Além disso, 19% e Área de Proteção Ambiental – APA Estadual do Passaúna, visando à preservação de sua mata nativa e, consequentemente, de seus rios. Tudo isso em uma extensão de 278,224 km² e uma população stimada em 30 mil habitantes.

A economia da cidade é focada na Agoecologia com produção de alimentos de agrotóxicos destacando-se cebola, milho, feijão, batata inglesa, hostifrutigranjeiros. Aos poucos vem se tornando um pólo de distribuição e logística sendo sede de muitas empresas de nível nacional e até internacional. Também é referencia estadual e nacional como capital do artesanato moveleiro e pólo de turismo ecológico oferecendo a; Trilha do Ouro, o Morro da Palha, a Cascata da Professorinha, a Capela da Conceição das Correas, a Casa do Agricultor e Sala da Memória, as Cachoeiras Gêmeas, a Estrada da Serrinha e a Igreja Matriz são algumas de suas agradáveis opções de lazer que tem como opções também muitos restaurantes, chácaras de lazer e pousadas.

Campo do Almirante

Campo Magro teve sua povoação iniciada há mais de trezentos anos, “na lista de ordenanças” da Vila de Curitiba, referente ao ano de 1791, aparece o bairro de Campo Magro com 8 casas. Antes de se tornar na cidade em que é, Campo Magro já foi distrito de Almirante Tamandaré, Colombo e Curitiba.

Pela lei nº 970, de 9 de abril de 1910, foi criado a distrito de Campo Magro, no Município de Tamandaré, com a denominação de Nossa Senhora da Conceição, mudada pela lei de 4 de abril de 1924.

Cachoeira próxima ao Morro da Palha. Foto: facebook

O destino trilha a história de Campo Magro

A história da gente de Campo Magro está invariavelmente ligada à de Almirante Tamandaré, acompanhando a vida politica deste município em seus altos e baixos, mesmo quando, em 14 de julho de 1938, o município de Tamandaré foi suprimido e passado a ser distrito judiciário pelo decreto-lei estadual 199, de 30 de dezembro de 1943, com território de distrito de Santa Felicidade e transferido para o Município de Colombo.

Campo Magro foi criado através da lei estadual nº 11.221, de 11 de dezembro de 1995, na sede do antigo distrito de Campo Magro, com território desmembrado do Município de Almirante Tamandaré. A instalação deu-se em 1º de janeiro de 1997.

Ouro ao alcance de todos

A Trilha do ouro motivou a ocupação e os índios Tinguis eram os habitantes locais, nos primórdios.

As terras campomagrenses têm sua formação ligada à exploração do ouro. Entretanto, foi o movimento dos tropeiros que marcou a história da cidade, inclusive no seu nome, o qual foi dado por esses desbravadores, que nos períodos de invernos, percebiam a minguada de pasto formando um verdadeiro campo magro.

Conta-se que Campo Magro surgiu no Bairro Conceição, porém nesses primórdios já era habitado pelos índios nômades Tinguis os quais, segundo historiadores da região dominavam no século do descobrimento do sertão os Campos de Curitiba, a partir da encosta ocidental da Serra do Mar (São José dos Pinhais, Piraquara, Campo Largo, Araucária, Almirante Tamandaré, Campo Magro, Colombo, Campina Grande e Rio Branco). Afirmam ainda que esses mesmos índios participaram da exploração do ouro como serviçais e que integram a formação étnica da comunidade local.

“Lagoinha” foto: facebook

Um verdadeiro campo de aventuras

Os primeiros aventureiros que chegaram a Campo Magro eram os portugueses que procuravam ouro, durante o Ciclo do Ouro – a partir do século XVIII – quando a mineração do litoral paulista se estendeu pelo Vale do Ribeira. Portanto o início do povoamento da região deu-se com o “Descoberto da Conceição”: lavra d’ouro no quarteirão da Conceição, distrito de Campo Magro, explorada pela guarda mor Francisco Martins Lustosa. Esta mina da Conceição, segundo alguns historiadores, foi descoberta em 1680 pelo capitão Salvador Jorge Velho.

Com os portugueses vieram os escravos. O Norte de Campo Magro teve atividades escassas nas minerações principalmente pelo seu relevo acidentado.

Do troperismo ao aventurismo

Campo Magro recebia muitos tropeiros que passavam pela antiga estrada do Cerne onde aos arredores formava o povoamento da região, mais precisamente no Bairro Novos Horizontes. Conta-se que os tropeiros quando em passagem pelo local, após um período de inverno bem rigoroso, em que acomodaram seu gado na região para descanso e pastagem, perceberam que o gado estava muito magro e que esta região, por suas características, apresentava uma pastagem danificada e pobre e, que por assim ser, deveria ser chamada de “campo magro”, pois o pasto que oferecia era muito “magro”, escasso.

Um campo farto de belezas naturais

Há poucos detalhes e registros sobre os diferentes passos dos tropeiros junto a comunidade, contam aqueles mais antigos de famílias que há muito estão aqui, que pela região passaram muitas e muitas tropas de gados, mula, cavalo. Instalavam-se para descanso, abastecimento e recuperação, utilizando-se muitas vezes dos armazém, muito comuns no período nesta localidade.

Do século 19 veio a cultura

No século XIX, com o estímulo à migração em todo território nacional, imigrantes europeus se direcionaram ao estado do Paraná e consequentemente a Campo Magro.

Italianos, oriundos da região de Santa Felicidade em Curitiba e poloneses procedentes de Araucária, Campo Largo, Orleans deslocaram-se a Campo Magro. Iniciou-se uma nova fase, tanto estrutural, quanto social e econômica com a chegada desses novos imigrantes e pequenos produtores.

Os poloneses trouxeram o hábito do cultivo da batatinha, bem como outras variedades como feijão, milho, hortifruti e grãos. Já os italianos desenvolveram uva, arroz, feijão, entre outros.

Os imigrantes trouxeram a Campo Magro além do seu trabalho, suas crenças, tradições culturais, seus costumes, por fim, uma mescla de modo de vida que se juntou as tradições já existentes marcadas pelos portugueses, índios e negros.

Como resultado dessa valiosa mistura temos nos dias de hoje um povo acolhedor e rico de histórias culturais que faz de Campo um lugar único, merece nossa visita.

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