Por Angélica Alves Bueno

Em março de 1968, meu avô Telange Telon Alves, engenheiro e diretor proprietário da MILD Máquinas e minha avó Maria Aparecida, deram início a um lindo trabalho na Ilha do Mel, apenas o de se doar a uma comunidade esquecida.

O abandono e a miséria com a qual essas famílias sobreviviam os fez pensar que deveriam fazer algo por essas pessoas, que não possuíam toda e qualquer condição de conseguir pelos seus próprios meios.

Eles dedicavam seus finais de semana para promover a ascensão social dos 1.300 habitantes dos núcleos comunitários da Ilha do Mel, Prainhas no Sul, Nova Brasília, Farol das Conchas e

Ponta da Coroazinha.

Na época os nativos eram de 130 famílias humildes de pescadores com dezenas de crianças, em 45km de superfície e a 12 milhas de Paranaguá, a qual o município faz parte.

Minha avó Cidinha, a qual era chamada, tornou-se uma espécie de fada protetora dessa população, que procurava resolver os mais diferentes problemas, como alimentos, roupas, remédios e até mesmo questões de ordem legal.

Segundo vovó, foi um trabalho muito difícil, pois, os próprios nativos desconfiavam de tanta bondade. A população além de esquecida pelo continente não estava acostumada a receber tanto auxílio, mas aos poucos viram que realmente não tinha interesse algum a não ser o de ajudar.

Em sete anos meu avô conseguiu resultados extraordinários, através da implantação de um programa de desenvolvimento da própria comunidade sem paternalismo. Na época a poetisa, Marita França, criou um departamento do litoral para esse projeto pioneiro, assim meu avô, convenceu os moradores a construírem e consertarem suas casas, recebendo em troca pincéis e tinta para pintá-las.

Foram doadas também bombas de água, para água potável de qualidade, pois até então as famílias consumiam água insalubre, que aumenta a incidência de doenças digestivas.

Deram também oportunidade de trabalho aos nativos, com aulas de higiene, arte, culinária, corte e costura. Assim foi minha infância na ilha, acompanhando esse trabalho fantástico que eles fizeram em vida. Em 1983 meu avô nos deixou e em 2005 minha avó.