Por Rodrigo do Prado – Chef, Sócio-diretor e Professor do Espaço Gourmet

É fato que o aprendizado do uso do fogo é o que primeiro conectou o homem a cozinha, o controle das labaredas, a criação de utensílios e as técnicas para melhorar o sabor dos alimentos, coloca, ao contrário do credo popular, os homens na cozinha antes das mulheres.

Na Roma antiga, como na Grécia, os escravos homens preparavam a comida para seus senhores, na Idade Média e no Renascimento, nas cozinhas das monarquias os Chefs, todos homens, comandavam os banquetes e tinham grande prestígio ao aguçarem os paladares dos reis. E não só nas cozinhas, os marinheiros, expedicionários, viajantes e aventureiros também produziam suas próprias refeições.

Considerando o breve histórico citado, por que acreditamos que os homens não sabem cozinhar? Nenhum fato histórico pode explicar, porém, o desenvolvimento social e a estrutura familiar desenvolvida no Brasil, nos levam a aprender que lugar de mulher é na cozinha, e mesmo com a independência profissional feminina, a cozinha continuou sendo considerada um território dela, até meados da década de 60 os homens que ousavam dividir seu gosto por cozinhar eram vistos a más olhos. Nos anos 70, esse status rapidamente começou a se transformar, com a chegada de novas culturas e o conhecimento de uma nova cozinha na França, liderada pelo mestre Chef Paul Bocuse.

Atualmente o contato do homem com a cozinha acontece de forma casual, como um passa tempo que aos poucos transforma-se em arte, toda mulher que agarrar um marido “pelo estômago”, e esse ditado popular, de alguma forma, inspira a independência masculina na cozinha, conhecer o que ele aprecia, saber como faz, descobrir o que tem naquele prato que o faz querer mais e destes princípios conhecer novas cozinhas, novos paladares e novos desafios.

O homem tem o ato de cozinha como um desafio e por isso tem gana em desenvolver suas habilidades, quando ele decide cozinhar a escolha do prato, a qualidade e procedência dos ingredientes e principalmente os utensílios e equipamentos são indispensáveis e primordiais, cozinhar “qualquer coisa rapidinho” não é uma opção, ele precisa atingir a excelência na execução, o prazer vem de preparar o que naquele momento para ele é o mais difícil.

A presença masculina na gastronomia tem crescido notavelmente no Brasil, não só profissionalmente, o “amador/profissional” é um fenômeno que está se desenvolvendo junto com o destaque da cozinha brasileira no mundo. A busca por conhecimento e prática está tirando esse nicho das cozinhas caseiras e trazendo para dentro das escolas, a procura por aulas, cursos, eventos aula, aulas show é intensa, aprender a se organizar na cozinha, organizar um “mise en place”, aprender as técnicas, os porquês da gastronomia se tornou a nova paixão masculina, a busca pelo segredo, que acredita-se que só um Chef conhece; está transformando o mercado gastronômico do país em uma “formula 1” de fogões, igualando homens e mulheres dentro da cozinha, onde a busca deixou de ser só pela sobrevivência e sim pela excelência e a experiência maravilhosa que só grandes ingredientes e receitas impecáveis podem proporcionar.