Por Amanda Kasecker

Se tem um bairro que mistura antigo com a modernidade, jovens e idosos, tribos alternativas com as mais modernas, este é o São Francisco. A região abriga museus, construções históricas, restaurantes, comércio, serviços e claro…muitos bares. Aliás, se existe um marco na região do Centro Histórico, também conhecida como Largo da Ordem, é o histórico boêmio. Entretanto, mais do que um convite à boemia, os bares da região também contam um pouco da história que a cidade vive em cada época.

Ali se encontram bares que surgiram no século passado e outros que estão traçando uma nova identidade à região, trazendo públicos novos. “O Centro Histórico é uma região muito diversificada. Temos estabelecimentos clássicos, étnicos, simples e modernos. Locais para todos os gostos e ocasiões”, comenta Anna Vargas, presidente da Rede Empresarial da região, que trabalha para promover a ocupação do Centro Histórico.

Vamos então passear pelas décadas e conhecer um pouco mais dos bares da região?

Década de 70

A década de 70 ficou marcada para sempre na vida de todos os curitibanos. Foram anos de muitos fatos marcantes. Em 1972, por exemplo, a Prefeitura Municipal devolve o centro da cidade aos pedestres, ao transformar a rua XV de Novembro – a mais central e movimentada – no primeiro calçadão do país. Já em 1974 é inaugurada uma nova fase do transporte coletivo, com as canaletas exclusivas para os ônibus expressos.

Mas foi o ano de 1975 que ficou registrado no álbum de família de muitos curitibanos. Nevou pela primeira vez em Curitiba. Depois disso Curitiba teve muitos dias de frio, mas só alguns minutos de neve em 2013.

Finalmente, em 1979, em meio a todo o progresso que a cidade conquistava surgiu um dos patrimônios curitibanos: o Bar do Alemão. Não há curitibano ou turista que passe pela cidade que não vá ao local. Bar e restaurante temático, ele se diferencia pela gastronomia alemã, ambientação rústica e pelo chopp submarino (caneca de chopp com uma canequinha de steinhaeger mergulhada no seu interior).

“Para nós estar no Centro Histórico é excelente, já que no mundo inteiro eles são pontos de visitação turística. Nos domingos, a famosa feira de artesanatos incrementa nosso movimento”, afirma Jorge Tonatto, proprietário do estabelecimento.

Década de 80

Nos anos 80 a capital paranaense já possuía mais de 900 mil habitantes. Em decorrência do crescimento da cidade muitas coisas importantes aconteceram, como a inauguração do primeiro shopping Center, a era dos video cassetes, o início da separação do lixo orgânico do reciclável.

Ao longo da década, Curitiba ainda passou por uma importante renovação de infraestrutura, construindo novos espaços e revitalizando outros. São dessa época o Museu de Arte Sacra, a

Casa da Memória, os cinemas Groff, Ritz e Luz, dentre outros. O setor Histórico, bloqueado aos veículos, vira o novo point dos curitibanos com seus bares e restaurantes. E é neste cenário que surge um clássico curitibano e do rock n’roll: o Tubas Bar.

Foi em abril de 1983 que a nova direção do Tubas, comandada por Thereza Cristina Leonardi, teve a ideia de tornar o local em um belo restaurante. “Com o passar do tempo fomos automaticamente aumentando nossa carga horária. Junto a isso passamos a curtir nossos vinis no estilo Clássico Rock n’ Roll, o que chamou o público desta tribo também. Hoje, após vários anos de funcionamento, somos um dos mais velhos e conhecido como Bar de Rock n’ Roll do Largo da Ordem e já recebemos públicos de vários Países e regiões”, conta Thereza.

Atualmente o Tubas é praticamente um clássico do Largo da Ordem e sempre está com suas portas abertas, cerveja gelada e um petisco para servir seus clientes. “Estar no Centro Histórico é um privilégio e tanto. Nos sentimos lisonjeados por estarmos em um dos mais belos pontos que guarda a história da cidade de Curitiba”, comenta Thereza.

Década de 90

A década de 90 marcou Curitiba definitivamente. Dois dos nossos principais cartões postais são desta época. O Jardim Botânico foi BARES QUE FAZEM HISTÓRIA: LOCAIS QUE CONTAM E REVIVEM CURITIBA criado em 1991 e, no ano seguinte foi a vez do Teatro Ópera de Arame. Uma curiosidade é que esta última foi construída no tempo recorde de 75 dias para abrigar a primeira edição do Festival de Teatro de Curitiba naquele ano.

Também foi um recorde a guinada que o tradicional Bar Brasileirinho, localizado na rua Matheus Leme, conquistou nesta década. O estabelecimento surgiu em 1997, após Cícero, que trabalhava como motoboy abrir um cachorro quente no local. Dois anos e muitas mudanças depois, o Brasileirinho virou bar e esperou a virada do século com projetos ainda melhores. Em poucos anos o espaço, que antes era de 5 metros quadrados, agora é de 220 e um verdadeiro clássico do Centro Histórico. “Nosso público hoje é de jovens de teatro, músicos e muitos turistas que passeiam por esta região”, conta Cícero Pereira da Silva. No Brasileirinho tem sempre cerveja gelada, comida caseira e um espaço reservado para o melhor da música brasileira.

Década de 2010

Chega então 2010 e a capital paranaense continua crescendo. Segundo o IBGE, neste ano ficamos com o título de município mais populoso do Paraná e da região Sul do Brasil.

Pensando em promover a maior ocupação dos espaços da cidade pelos turistas e, principalmente pelos próprios curitibanos, em 2012 surgiu a Rede Empresarial do Centro Histórico de Curitiba, trazendo mais eventos, iniciativas e os cidadãos ocupando sua própria cidade.

É nesta década também que um bocado de gente daqui começa a fazer sucesso e levar o nome da cidade com as cervejas artesanais. Curitiba acaba se consagrando como o berço dessas cervejarias e por isso nada melhor do que contar com bares que valorizem essa nova cultura cervejeira. Assim nasce o Quintal do Monge, no coração do Largo da Ordem.

“Abrimos nossas portas em 2013 visando trazer uma nova opção para o Centro Histórico. A ideia principal são os chopps artesanais que são guardados em uma câmara fria à vista dos clientes”, explica Sérgio Apter, proprietário do bar.

Também com uma pegada de chope artesanal, mas com foco principal em uma das comidas mais amadas do Brasil surge o Pizza. Sua terceira unidade em Curitiba foi trazida para a Rua São Francisco, no Centro Histórico.

“Estar no centro vai de encontro com a nossa proposta de atendimento, comer caminhando. Valorizamos a ocupação inteligente e diversificada das vias públicas, acreditamos que as ruas são espaços democráticos e devem estar à disposição das pessoas. Estar no centro histórico permite o contato com essa diversidade de público e ao mesmo tempo com a história da cidade”, resume muito bem Rafael, proprietário do xodó da São Francisco.

Logo ao lado tem também o Negrita Bar, reduto da Patrícia Bandeira, que após 15 anos em Londres trouxe todas as suas ideias e preferências para este bar especial. “Quando retornei decidi criar meu próprio emprego e o meu tipo de bar favorito: tapas espanholas e latinas, vinhos e coquetéis carregados nas frutas e ervas, um ambiente despretensioso e com preços honestos. O que Patrícia mais gosta é a fácil localização e reforça que o Centro Histórico é sim, um lugar para todos os tipos de pessoas e grupos, sem qualquer segmentação. Pela quantidade de lugares diferentes que estão por lá não fica difícil imaginar, né?

E a história continua a se formar. O que será que vem pela frente?

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