“Você só consegue avançar se a comunidade está contribuindo” Carlos Madalosso

Santa Felicidade, o bairro mais italiano de Curitiba, é famoso internacionalmente como um centro gastronômico com cardápio típico de alta qualidade. São mais de 30 restaurantes servindo as delícias das “nonas” e “mamas” caprichosas. Ali o visitante encontra vinícolas, lojas de móveis e artesanato, bem como iguarias caseiras e coloniais nos armazéns típicos. Mas quem conhece Santa Felicidade atualmente não sabe de todas as transformações que o bairro viveu.

O empresário Carlos Madalosso, membro de uma das famílias mais conhecidas do bairro, nos conta parte desta história recente.

Até chegar ao restaurante e a consolidação de nossos negócios, nossa família atuava na lavoura, plantando e cultivando uvas Niagara branca e rosada. Porém a plantação não estava indo tão bem, principalmente por causa da temperatura da região que não ajudava. Na frente de nosso terreno (atualmente o novo Madalosso) tinha um gaúcho que queria vender um restaurante. A ideia pareceu atrativa e promissora e com bem pouco dinheiro e várias prestações o patriarca (João Antônio Madalosso) comprou o restaurante (Velho Madalosso). No começo a minha irmã Flora foi para a cozinha e eu para o salão, que tinha apenas 6 mesas. Os clientes começaram a gostar da qualidade da comida e do atendimento familiar, fazendo com que o movimento crescesse rapidamente e em apenas três meses fizemos a primeira reforma, até que surgiu a ideia de fazer uma casa nova.

Em 1970 inauguramos o novo Madalosso, fizemos algumas pesquisas com arquitetos e a que mais gostamos foi de deixar uma entrada grande e convidativa. Aqui tudo foi um sucesso e acompanhamos o crescimento de Curitiba também, buscando clientes, trazendo turistas e após 1995 recebemos a comitiva do Guines Book. Foi uma grande surpresa termos sido catalogados como um dos maiores restaurantes do mundo (atrás apenas do Bawabet Damasco e do Mang Gorn Luang em Bangkok), o que trouxe mais ônibus de turismo curiosos sobre o nosso espaço. Atualmente temos 3630 lugares para jantares políticos (mesas juntas).  

Risoto – é a cara da culinária italiana de Santa Felicidade

Nosso primeiro prato era o risoto, após chegou a polenta e frango fritos, o radite e a maionese. Assim nós herdamos o conceito culinário das grandes almoços domingueiros das famílias italiana.

Antes de existirem os restaurantes, a dona Julia Toaldo fazia um risoto que caiu no gosto de muita gente que acabavam fazendo encomendas. Algumas famílias convidavam a simpática senhora para festas e ela servia com esmero seu prato saboroso. Neste tempo Santa Felicidade abastecia de verduras e legumes parte da cidade, assim mais e mais pessoas se interessaram pelo bairro que assim ia ganhando destaque. Desta forma o prato se tornou imbatível e obrigatório para nossa culinária.   

Do crescimento a quase emancipação

Em 1987 fundei a ACISF (Associação do Comércio e Indústria de Santa Felicidade), pois o bairro cresceu e tínhamos o intuito de tornar Santa Felicidade um município. Mas após diversos estudos verificou-se que o bairro não poderia ser independente.  Mesmo não dando certo a emancipação, começamos a estruturar o bairro pouco a pouco, antes existiam apenas duas vias: a Manoel Ribas e a Toaldo Túlio. Com a construcao da Via Vêneto crescemos ainda mais, fortalecendo realmente o comércio local.

Portal de Santa Felicidade: a marca registrada do bairro

Em uma visita a Verona, na Itália, vi um portal e pensei em fazer semelhante. Após voltar ao Brasil fui ao Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) com essa proposta, foi feito um edital para construção e o arquiteto vencedor ganhou uma estadia de uma semana na Itália para fazer estudos preliminares do nosso portal. Na época quem financiou o projeto foi o Banco Bamerindus. A ideia era construir na entrada das Mercês onde atualmente fica o Leão alado de Veneza, porém sugeriram em faze-lo no local onde realmente foi construído (1990). Essa foi uma boa ideia, pois acabou pegando as duas pistas e ganhou mais visibilidade.  

fonte: Google drive

O Corpo de Bombeiros

Após o incêndio em 3 restaurantes (Casarão, Cabana do Tony e o Bonanza), surgiu a preocupação com este perigo, pois até chamar os bombeiros (quartel no centro da cidade), o tempo que levavam era grande. Conseguimos um terreno para fazer a instalação e a verba para a construção do quartel (7ª GB).  

O que falta para o bairro

Ainda considero a hipótese de que façam o cabeamento de luz subterrâneo, pois isso dará mais beleza às nossas ruas. A outra ideia é reformar os paralelepípedos da Manoel Ribas e também considero um redirecionamento do fluxo de veículos que vão para a Toaldo Túlio para descongestiona o trânsito na Manoel Ribas, assim como a Via Vêneto acaba fazendo.   

Carlos Madalosso além de ganhar vários prêmios de empresário do ano, já ganhou comendas por benfeitorias. A primeira após uma enchente na década de 80 onde muitas famílias ficaram sem alimentação. Madalosso ajudou a defesa civil durante 4 meses com caminhões de comida, recebendo a condecoração do exército brasileiro. A Segunda veio por divulgar a cultura italiana Dante Alighieri no Brasil, recebendo a medalha direto do governador.       

Atualmente o Restaurante Madalosso possui 430 funcionários registrados, mais os terceirizados (subindo para 600). A família segue no ramo da gastronomia e os funcionários também são de gerações, como a Tereza que trabalhou por 52 anos e tem filha e neta atuando no restaurante.

No responses yet

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

https://www.linkedin.com/company/55058278
https://www.instagram.com/revistavivacuritiba/